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MIGUEL PEREIRA NA REVISTA VEJA EM "DE VOLTA AO LUXO"
 

Revista Veja - Edição 2169

Turismo

De volta ao luxo

As portentosas fazendas do século XIX em que viveram os barões
do café, no Rio de Janeiro, se transformam em hotéis cercados de
história - onde não faltam edredons de pluma de ganso e alta gastronomia

 Silvia Rogar

Fotos Oscar Cabral

Um chef no comando
O holandês Boomgaardt (à esq.), dono de estrelas no Guia Michelin: costelas ao curry e

quartos com objetos trazidos da Ásia (à dir.)

Em meio a estradas de terra ladeadas por uma densa Mata Atlântica, descortina-se na região do Vale do Paraíba - a pouco mais de 75 quilômetros do Rio de Janeiro e a 300 de São Paulo - um improvável roteiro que alia história a pernoites em ambientes onde TVs de LCD são emolduradas em ouro e a comida chega a ter o nível de estrelados restaurantes europeus. Espremida entre as serras do Mar e da Mantiqueira, no Rio, a região é tomada por uma coleção de 120 fazendas que tiveram seu apogeu em meados do século XIX, respondendo por 70% da produção de café numa época em que o Brasil era o maior exportador mundial do grão. Todo o fausto daquele tempo, no entanto, se esvaiu à medida que o solo foi se esgotando e os escravos, uma vez libertos, deixaram de servir de mão de obra. Esse cenário de decadência, que se traduzia em casarões abandonados por herdeiros sem dinheiro nem interesse em preservá-los, começou a mudar, na última década, com a venda das propriedades, seguida de sua abertura à visitação. A maior transformação ali, porém, data de três anos para cá e vem sendo encabeçada por um grupo de empresários, alguns deles estrangeiros, que ambiciona fazer do lugar (guardadas as evidentes diferenças) uma versão brasileira do Vale do Loire, na França. Diz a argentina Josefina Durini, arquiteta radicada em Londres, que acaba de reformar uma dessas fazendas: "Vi o potencial de o local se tornar parte de um roteiro rural sofisticado - algo novo no Brasil".

Um dos pontos em comum à trajetória de estrangeiros como ela no Vale do Paraíba diz respeito à maneira como vieram a conhecer a região: a princípio, como turistas. A maioria ouviu falar pela primeira vez do circuito de fazendas por meio de guias turísticos e agências europeias justamente especializadas em passeios históricos. Uma vez lá, muitos se viram às voltas com pensamento semelhante ao que fez o chef holandês Jos Boomgaardt, 62 anos, nunca mais retornar a Amsterdã, onde morava. "Trata-se de um lugar de natureza exuberante, com clima ameno e oportunidade para ganhar dinheiro", resume ele, que decidiu passar adiante o restaurante que mantinha na Holanda, agraciado com duas estrelas no Guia Michelin, a bíblia da gastronomia, para viver no Vale.

Em aposentos que mesclam delicados lustres austríacos com esculturas tailandesas garimpadas em viagens pela Ásia, servem-se pratos, como a costela ao curry com arroz de jasmim, preparados pelo próprio Boomgaardt. Uma boa fusão do cenário de época com uma decoração moderna pode ser vista na Fazenda União, entre as mais portentosas. Ali, as salas tomadas por porcelanas e pratarias de dois séculos atrás contrastam com uma adega que abriga 400 rótulos e um telão de cinema. Construída em 1836, a casa hospedava muitos viajantes. Para evitar que travassem contato com a família, seu dono, o Visconde de Rio Preto, proeminente barão do café, impunha uma condição: mantê-los trancados durante a noite.

 

Oscar Cabral

Rural, mas sofisticado
Arquiteta radicada em Londres, a argentina Josefina Durini acaba de reformar uma fazenda centenária: "É o nosso Vale do Loire"


A visita ao conjunto de casarões do século XIX, remanescentes de um período de prosperidade, ajuda a decifrar o estilo de vida de uma aristocracia que se espelhava nos padrões europeus. Vê-se ainda nesses palacetes rurais, que chegam a contabilizar cinquenta cômodos, uma profusão de vitrais italianos, louças francesas, pias inglesas. Os barões do café gostavam de enviar os filhos para estudar na França e competiam uns com os outros em número de objetos de valor, que ostentavam em suas propriedades. Para sobressair, o açoriano João Pereira da Silva chegou ao ponto de mandar vir de Portugal uma equipe de prestigiados marceneiros para produzir uma série de móveis de jacarandá. Os pés da mobília deveriam ser como garras, de acordo com o estilo francês em voga, e as fechaduras, de marfim - inquestionável símbolo de status. Tal mobiliário se encontra ainda na Fazenda Taquara, de 1830, hoje aberta à visitação. Em fazendas como essas viviam nas senzalas até 800 escravos, segundo documentos reunidos no Museu Casa da Hera, que exibe também uma boa coleção de roupas e louças daquele tempo, além de um raríssimo piano francês Henri Herz. Depois da morte do pai, em 1872, a jovem Eufrásia Teixeira Leite passou a comandar a propriedade. Com apenas 23 anos, apaixonada por Joaquim Nabuco e extremamente culta, a moça viria a escandalizar a corte com seus cabelos curtos e decotes generosos.

Foi depois do declínio da mineração como principal atividade econômica no Brasil que o Vale do Paraíba começou a florescer, no princípio do século XIX. Sua ocupação, baseada no plantio do café e na mão de obra escrava, ocorreu de forma tão acelerada que os jornais da época se referem a algo como uma "avalanche cafeeira". O apogeu da região deu-se nos anos 1850, período do qual trata o pesquisador Tasso Fragoso Pires, um dos autores do recém-lançado Fazendas do Império (Edições Fadel): "A elite que se forjou no ciclo do café guarda muitas semelhanças com aquela que vivia do algodão na Geórgia, retratada no filme ...E o Vento Levou: tal como os fazendeiros americanos, nossos barões se achavam donos de uma riqueza sem fim". A história mostraria que eles estavam errados. Com o solo já exaurido, a libertação dos escravos, em 1888, inviabilizou de vez a cultura do café. A partir de então, o oeste paulista, região abundante em terras férteis e imigrantes europeus, concentraria o cultivo do grão.

O mais novo ciclo econômico do Vale do Paraíba está ancorado no turismo - que não só cresce como se sofistica. "O visitante típico não é mais o que vem em bandos a bordo de vans lotadas, mas sim aquele que está em busca de um mergulho histórico e de um bom travesseiro de pena", define Sonia Mattos, diretora do Preservale, instituto encarregado da manutenção da história da região.

 

Um levantamento recente mostra que o número de estrangeiros por lá aumentou 20% nos últimos cinco anos. É gente que não se incomoda em arcar com diárias entre 500 e 1 000 reais, cobradas por uma dezena de hotéis montados no interior dos antigos palacetes. Na semana que vem, será aberto ali um hotel com 110 quartos, banheiras de hidromassagem, ofurô, cinema com tecnologia 3D e até heliporto. Ficará situado na propriedade da centenária Fazenda Santa Rita do Pau-Ferro, uma das mais antigas nos tempos do café, agora debruçada sobre uma piscina. À frente do negócio está um grupo de portugueses que detectou na região uma demanda por serviços cinco-estrelas. Que o turista não espere encontrar estradas pavimentadas ou boa sinalização, ainda praticamente inexistentes. Quanto ao café servido aos hóspedes, ele prima pela qualidade dos grãos - mas, ao contrário dos áureos tempos, não é mais produzido ali.

 

 

 


Miguel Pereira e Paty do Alferes - Rio de Janeiro

 

 

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